Por Jeremias Carvalho*
Certa vez ao levar minha filha ao colégio, parei por um instante, para vê o comportamento dos alunos, que lá estudam. Naquele dia, pude perceber que até mesmo as crianças (sem perceber), fazem grupinhos, espécies de panelinhas, onde as chamadas amiguinhas (em patota) realizam suas brincadeiras durante o intervalo. Percebi também que aquela ação realizada pelo chamado “grupinho” causava certa indiferença às outras crianças, gerando certo mal estar ao ponto de provocar discussões entre elas.
O seguinte relato mostra que a indiferença é algo sentido até mesmo pelas crianças. Esse sentimento pode gerar algo mais sério na medida em que ele é trazido para a vida adulta. Quando não combatido pode acarretar muitas dores, tais como complexos de inferioridade e transtornos mentais, podendo levar até a depressão. E o que dizer quando essa indiferença vem de alguém a quem tanto devotamos afeto e consideração? De fato, sentimos na alma ao perceber o desprezo daqueles que um dia foi nosso amigo. A dor também é enorme quando somos desprezados por parentes e familiares: é como se do nada, nós, não mais sejamos importantes para eles.
Segundo o dicionário Aurélio, a palavra “indiferença”, significa: “desdém, desprezo, desconsideração, apatia, insensibilidade”. Então, o que podemos fazer para combater tal sentimento? E mais do isso: o que fazer para não sermos indiferentes com nosso próximo? Dois sentimentos comuns podem combater tal antipatia pelos outros: a solidariedade e a educação. Se praticarmos tais ações em nossas vidas e em nossas atitudes, ações essas, que, muitas vezes, independem de seguirmos uma religião ou não, podem nos ajudar em muito a evitar praticar tal sentimento. De fato, se formos solidários e educados, poderemos tratar bem nossa família, amigos e até mesmo aqueles que não conhecemos!
No entanto, nesse mundo em que vivemos se é manifestado no dia a dia das pessoas, cada vez mais desejos egoístas, onde mais vale o que temos e possuímos do que aquilo que realmente somos. As coisas materiais são mais importantes do que as coisas espirituais. Tem-se mais valor aquilo que temos no bolso do aquilo que mostramos ser. Tudo isso tem causado grande indiferença nas pessoas, gerando grandes atritos e preconceitos o que tem originado enormes ressentimentos, muitas vezes, difíceis de apagar.
Mesmo assim, é possível viver uma vida desprovida de ressentimentos e de indiferença, basta reconhecer que somos todos seres humanos e, portanto, não tem essa de maior, ou melhor, do ninguém. Somos todos da mesma raça imperfeita; “lembremos que somos pó e ao pó voltaremos”, reza o livro profético. O sentimento da indiferença só é praticado por aqueles que de alguma forma deixaram de sentir sentimentos cristãos há muito apregoado pelo exemplo maior – Jesus Cristo. Ele sempre ensinou a tratarmos todos como irmãos, filho do mesmo Pai, do mesmo Deus. Saber reconhecer o sofrimento alheio e de vez em quando refletir como anda nossa prática de solidariedade pode ajudar nesse quesito. Lembremos sempre disso.
* Jeremias Carvalho é acadêmico de Filosofia na Universidade Federal do Piauí.
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